Temporada Fashion 2009
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WALÉRIO ARAÚJO 23.11.09
São Paulo, 23 de novembro de 2009 - A locação do desfile de inverno de Walério Araújo na Casa de Criadores era interessantíssima: o Museu da Língua Portuguesa. Tema: O Mágico de Oz _uma das principais referências da cultura gay clássica, com a inesquecível Dorothy de Judy Garland.

Segundo declarou o estilista, o principal desafio era não parecer figurino. Figurino mesmo não ficou, mesmo nos momentos em que os personagens Leão, Homem de Lata e Espantalho vêm mais literais. Pudesse ter sido mais longo o desfile teríamos esses desenvolvimentos vistos de forma ainda mais sutil, mas nesta coleção Walério consegue trabalhar a contento com os materiais disponíveis e faz moda (quer saber? Não está tão simples assim hoje em dia).

E já não está mais do que na hora de um patrocinador de porte injetar dinheiro na marca do estilista? Bons tecidos + mão de obra qualificada + criatividade = sucesso. Walério Araújo é uma grande mídia, em si e pelo que mostra a cada temporada como árduo processo pode muito bem fechar esta conta. #ficaadica.

O estilista recheia a inspiração com elementos de fetiche (zíperes, atracadores, tachas, metais e corsets arrematam os looks da Dorothy Perv de Walério Araújo, com pegada Dita Von Teese). Silhuetas anos 40 nos bonitos vestidos ajustados ao corpo forçam as bainhas para comprimentos abaixo do joelho, ganhando em sofisticação mas envelhecendo os looks em alguns momentos. O estilista parece querer mostrar que também pode fazer roupa chique, sem os excessos vistos nas ruas e esquinas desta paulicéia.

Os exageros ficaram por conta dos volumes anos 50 das megassaias com forro de tule, imagem clichê de glamour retrô, que quando mal-costurados podem expor as entranhas dos ateliês, pesadões em matelassês e tafetás. Desta seção, o melhor é o de Bruna Sotilli, com parte de cima e grandes faixas de cetim, sobre a saia em material com aparência suede.

Claro que com isso Walério Araújo quer debochar do romantismo exacerbado, com corações, flores e muitos e fortes babados, e avança no modo como revela o corpo, nas transparências e no delicado bumbum de fora que sensualmente encerra o desfile com Barbara Cavazotti, remix do vichy da jardineira do Kansas. Porém, este não teve o efeito apoteótico desejado, e o look arco-íris em babadinhos anterior por algum motivo murchou na passarela.

Repleto de finas ironias, o desfile vem amarrado (literalmente) pelas sedutoramente mortais anabelas de Fernando Pires. Nessas horas é que a gente vê que realmente there’s no place like home.

ERIKA PALOMINO
FOTOS MARCELO SOUBHIA/ AG FOTOSITE

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