Temporada Fashion 2009
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CAVALERA 20.01.08
fotos: SILVIA BORIELLO
SP, 20 de janeiro de 2008 – Amanhecer chovendo deu certo desânimo, mas valeu a pena ter ido no desfile da Cavalera à margem do rio Tietê, abrindo este quinto dia de SPFW. Nem tanto pela abordagem ecológica, comparando a poluição da cidade a Chernobyl, que acaba funcionando mais como ferramenta de marketing institucional do que uma ação os aproxima da moda. Mas para ver o trabalho de Marcelo Sommer, primeiro como diretor-criativo da marca de Alberto Hiar.

A cena criada pelo diretor Alberto Renault dispunha os modelos no alto da rodovia, em uma imensa fila horizontal, enquanto editores e fotógrafos assistiam da embarcação Almirante do Lago. Um a um eles desciam de escada até quase a beira, onde andavam em círculos em volta do lixo até a sirene tocar. Sentiu-se falta da trilha, mesmo que a idéia do silêncio fosse criar certo desconforto. Mas tá tudo certo.

As roupas, melhor vistas depois no backstage improvisado, são feitas com remixes de tecidos do acervo da Cavalera, cobertores e as brincadeiras com logos fashion que ajudaram a fazer a história do streetwear nacional, como o xadrez da Burberry e a colorida ilustração de Takashi Murakami pra Vuitton. “São roupas mutantes”!, define Marcelo Sommer, sobre as construções com duas ou mais peças diferentes, como o vestido feito de camisas e o agasalho híbrido.

No material reaproveitado, insere-se os símbolos de radioatividade nos casacões matelassê e bermudas. Legal o camuflado feito com a águia do logotipo e os vários xadrezes. As meninas usam os vestidos amplos românticos que a Cavalera vem mostrado nas últimas temporadas, com manga sino; mais uns compridos que arrastavam no chão cobertos por capas. Lindo o look de calça ampla em Sheila Baum.

A coleção masculina tem leve perfume militar. O terno dos meninos era estampado demais, mas havia bons blazers, cardigãs e calças para usarem separados. Os bolsos mostravam interessante trabalho de origami, bem geométricos. Bons também os tênis de retalhos e os sapatos pesadões. Retrô é uma linguagem que Marcelo trabalha bem e tem toda a liberdade pra explorá-la, como na cartela de cores de marrons iluminados por verde, laranja e azul.

Seria bom se a coleção chegasse às lojas e não se restringisse a uma apresentação para poucos num canto obscuro da cidade. A Cavalera precisa voltar às ruas logo.

ANDRÉ DO VAL
FOTOS SILVIA BORIELLO

Styling: David Pollak
Beleza: Roberto Estevão
Produção executiva: Alexandre Breve e Patricia Rabello

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